domingo, 26 de abril de 2009

Num Cabaret, a despedida.

- Boa noite rapazes! - grita Anethe ao entrar pelo salão, desfilando com seu cigarro e uma taça de champagne - Vamos viver intensamente esta noite, pois não sabemos se será a última - e beija lentamente um rapaz que estava passando por ela. Todos a olham passar, está completamente bêbada, mas não deixa transparecer e anda com classe, tal qual uma lady. Na verdade ela é, uma lady do Cabaret mais famoso de Paris, a qual todos querem provar.

- Hoje é a noite da despedida, meus amores! - ninguém entende a razão da tal despedida. Todos estranham a expressão 'despedida'. Mas Anethe continua seu discurso, com mais entusiasmo.

- Hoje temos que aproveitar, pois a vida é breve e mal sabemos se amanhã, meu bem, acordaremos vivos para contar essa história. Mal sabemos se não morreremos hoje mesmo, portanto vivam, bebam e possuam quantas mulheres conseguirem dar conta esta noite - e solta uma gargalhada que faz todos se assustarem.

- Esta noite é minha, é a minha despedida! Jean, querido, toque este piano como nunca tocou em sua vida; Marie, trate cada um desses rapazes como se fossem "seus filhos"!

- Claro Anethe, serei a mãe mais atenciosa de todos aqui! - gargalhadas. Então, Anethe segue em direção ao seu quarto, com uma garrafa de champagne e segurando pela gravata o jovem Albert, o escolhido para viver a noite de amor mais intensa de sua vida. Lençóis de cetim vermelho, rendas e cinta-liga, cigarros, taças, beijos, línguas, gemidos de êxtase. Depois a exaustão, o sentimento de satisfação. Anethe vira para Albert e diz, como uma ordem.

- Agora saia. Deixe-me em paz.

- Mas Anethe, querida, eu gostaria de...

- Não gostaria de nada. Saia já do meu quarto! - abriu a porta e jogou suas roupas no corredor. O pobre rapaz não sabia o que fazer. Decidiu esperar até que ela se acalmasse, para então conversarem. Queria aquela mulher, do jeito que fosse, prostituta ou não. Queria tê-la para sempre, e Anethe sabia disso. Mas para ela não existia nenhum "para sempre".

Em seu quarto, Anethe olhava para os lençóis revirados enquanto fumava um cigarro. Olhou pela janela, a lua a olhava também.

- Minha despedida... - estava com um olhar triste. Enquanto no salão as pessoas bebiam e se divertiam como nunca o fizeram antes, Anethe pegava seu punhal e cortava seus pulsos. Mal se via o sangue nos lençóis. Ela estava linda. A lua banhava seu leito de morte; era a única testemunha do suicídio. Albert resolveu ir ao quarto de Anethe. Não estava trancado.

- Oh Anethe, o que fizestes! - chorava o pobre apaixonado sobre o corpo da amada já gelado e rígido. Ela avisara, era sua despedida.

Um comentário:

Camponês disse...

...apenas o silêncio, o silêncio...